Hoje o papo é outro
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quinta, 02 de abril de 2026

Estamos na Semana Santa. E, convenhamos, não é só mais um feriado encaixado no calendário para descansar ou ter comido um peixe diferente, ontem. Existe algo mais profundo. É como se fosse aquele intervalo de jogo em que o técnico fecha a porta do vestiário, olha no olho de cada um e pergunta se é isso mesmo que eles foram fazer ali. E muitas vezes a resposta não vem de forma fácil.
A história que essa semana relembra não é apenas sobre dor e sacrifício. É sobre escolhas. Sobre amor levado até as últimas consequências, sobre perdão quando seria mais fácil devolver na mesma moeda. Por vezes, refletir sobre para quem estamos dando verdadeiro foco com a nossa “audiência”. Sobre priorizar a pessoa mais importante da história da humanidade. Sobre se posicionar definitivamente.
Fazendo uma analogia com o futebol, é sobre aquele passe que poderia ter sido melhor, aquela palavra que não precisava ter sido dita para o companheiro de time que te ajuda nos objetivos ou sobre aquela omissão que pesou mais do que qualquer falta cometida perto da área. Sabe aquele lance em que poderíamos ter tocado a bola, mas preferimos resolver sozinho? Mais ou menos isso. Porque, no fundo, sabemos onde estamos errando e onde poderíamos ter sido melhores.
No futebol, a gente questiona tudo. Reclama do VAR, da escalação, do dirigente, do preparo físico, do gramado, ultimamente até da nova camisa da Seleção. A gente analisa, critica, pede substituição e, sentados no sofá, achamos que podemos resolver o jogo em dois minutos. Somos especialistas em apontar os erros dos outros. Mas e quando o nosso jogo é interno? Como anda a nossa consciência? A Semana Santa cutuca justamente isso. Não com grito à beira do campo, mas com uma insistência por vezes silenciosa.
A gente vive no automático. Corre, trabalha, resolve problema, cumpre agenda… E quando percebe, está jogando o jogo da vida sem saber exatamente qual é o placar ou, pior, sem saber qual é o objetivo. Mas a boa notícia — e talvez seja essa a mais importante — é que sempre dá para recomeçar. A Semana Santa lembra justamente isso: que depois da queda, pode existir redenção, que depois do silêncio, pode haver resposta, que depois da dor, pode nascer sentido e propósito.
Hoje, o papo não é exclusivamente sobre futebol. No máximo misto, digamos assim. Talvez o papo de hoje seja sobre o jogo mais importante de todos, aquele que jogamos todos os dias e que devemos dar exemplo, procurando deixar um legado. E só nós, dentro de nosso íntimo, sabemos como está atualmente o nosso placar. Feliz Páscoa, turma!

PAPO DE FÉ

“Entreguem-lhe todas as suas ansiedades, pois ele cuida de vocês”.
– 1 Pedro 5:7
 

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