Nada dá mais prazer a uma pessoa do que a mudança de uma situação negativa para uma positiva. A passagem da lágrima para o riso, da doença para a saúde, da tristeza para a alegria, da frustração para o alívio. Mutatis mutandis, é o que experimenta o cristão após os 40 dias da Quaresma, de sacrifícios e orações, de dias cinzentos e fúnebres para os momentos da Ressurreição e da Páscoa. Pretendo vivenciar estes sentimentos com três passagens da Bíblia, nas quais a gente como que aí se encontra.
1º – Maria Madalena: Era uma pecadora, prostituta profissional, que mudara seu estilo de vida, apaixonando-se por Jesus. Todavia, vê seu novo Amor ruir por terra quando Ele é perseguido, condenado, pregado numa cruz. Mesmo assim, ela é uma das raras personagens que está presente no calvário. E mesmo após a morte do seu Jesus, após ser Ele enterrado no jardim, ela não O abandona. Três dias depois, vai ao cemitério expressar sua paixão, planejando ungi-lo com óleos, perfumá-lo com aromas, beijar seu rosto pela última vez. Nada encontrando no sepulcro, indaga ao ‘JARDINEIRO’ onde puseram o corpo do seu bem amado. Então Cristo se revela. Alguém faz ideia da loucura que invade a alma da Madalena, vendo vivo o seu grande Amor?
2º – Os Apóstolos: Os Onze escolhidos pelo Mestre devem ter passado por turbilhão. Como explicar o acontecido? Como entender que Aquele que praticava prodígios, que se intitulava Deus, que dominaria a terra e os Céus, tivesse acabado daquele jeito? Miseravelmente crucificado, abandonado por todos, inclusive, por eles. João foi o único que arriscou se esgueirar entre os soldados e chegar até o Madeiro infame. O próprio Pedro, há pouco ungido Chefe e Fundamento de sua Igreja, covardemente fugira, até negando-o perante uma simples empregada. Como explicar esta mudança radical? Tomados pelo medo, reúnem-se no Cenáculo, a tradicional casa de reuniões, mas tendo o cuidado de fechar bem as portas, para não serem percebidos. “Escagaçados”! O pavor dominava a todos. Vamos que algum estrangeiro ou soldado os denunciasse perante Pilatos! E de repente, Jesus se põe no meio deles, vivo, ressuscitado como tantas vezes lhes falara! Sim, Ele mesmo, o Mestre! Eles não acreditam. O silêncio domina a sala. Todos perderam a voz. Não sabem se choram, se riem, se O abraçam! Ninguém fala nada. Então Jesus, com aquela psicologia divina lhes fala: “Vocês não acreditam? Sou Eu. Vede minhas mãos que os cravos perfuraram. Vede a cicatriz feita pela lança! Por sinal, tem alguma coisa para comer?” E então, lhe apresentam restos de peixe, a sua comida costumeira.
3º – Os Discípulos de Emaús: Eram dois sujeitos, fanáticos pela pregação e pela Pessoa de Jesus. Tinham ficado enfeitiçados pelas maravilhas praticadas por aquele Homem que, realmente os convencera, era o Filho de Deus. Voltavam de Jerusalém para suas moradias, em Emaús, distante 11 quilômetros, acabrunhados, macambúzios, frustrados. “Não era possível. A gente acreditava que Ele viria libertar Israel. Nós presenciamos inúmeros milagres. E agora? Tudo virou pó! Tudo virou fumaça!” E nem percebem que um “Estrangeiro” se junta a eles, que lhes fala e lhes explica os fatos e as Escrituras. E ao chegarem em casa, na fração do pão, o Cristo se revela! Na mesma hora, pulam de alegria e retornam a Jerusalém para contar que Ele ressuscitou! Feliz Páscoa!
Colhemos a oportunidade para cumprimentar as pessoas que artisticamente ornamentaram a praça com os símbolos pascais. Brotaram elogios de toda a cidade. Também parabenizamos o Clero pelas atividades litúrgicas desenvolvidas durante a Semana Santa, com tanta unção e espiritualidade. Loas à confecção do didático livreto sobre a Via Sacra. O Ressuscitado agradece a todos!